REVISTA TRIEBUNA FREUDIANA

Nº 18

novembro de 2009


 

Editorial - Proposta


   A presente edição da Revista Triebuna Freudiana, aborda uma temática bastante específica: as questões trazidas pela neurose obsessiva. Trata-se de uma coletânea de textos que privilegiam o tema a partir dos trabalhos do Cartel sobre Neurose Obsessiva, desenvolvido na Associação Clínica Freudiana durante este último ano, Cartel preparatório à Jornada da Associação, realizada em novembro.

   Neurose obsessiva: temática atualíssima, na medida em que, embora tendo sido modificada sua denominação, continua presente na nosografia clínica atual, a nível de seus fenômenos e sintomas particulares, como Transtorno Obsessivo Compulsivo. Psicanaliticamente, sabemos que não se trata de um privilégio a ser dado a tal fenomenologia, por mais característica ou espantosa que nos pareça. Trata-se muito mais da atenção a um certo ordenamento estrutural no qual a questão do desejo se põe de forma muito específica. Poderíamos dizer que, para o obsessivo, uma certa questão fundamental se coloca: como desejar? Ora, a partir daí, como não pensar que um tal ordenamento tenha um alcance mais amplo que o campo da clínica, alcançando mesmo algo de nossa própria subjetividade contemporânea? Neste sentido, a edição atual da revista Triebuna Freudiana reflete algo do trabalho produzido no âmbito de nossos estudos durante este ano.

   Podemos dizer que, em certa oposição à monocromia da obsessividade, a revista, nesta edição, empenha-se pelo privilégio à diversidade. Inicialmente, uma diversidade no âmbito das diferentes leituras e questionamentos trazidos sobre o tema da neurose obsessiva. Trata-se de um leque de abordagens que, a partir de um referencial de textos freudianos e lacanianos, contempla temas clínicos fundamentais, como a especificidade da angústia na neurose obsessiva e a estruturação subjetiva a partir do mito individual do neurótico. Por outro lado, encontram-se textos que abordam o tema através da leitura de obras literárias já clássicas. Shakespeare, Machado de Assis, Poe e Dionelyo Machado são então nossos guias em textos que, embora trabalhando sobre a literatura, mantem uma perspectiva clínica.

   Mas esta diversidade se apresenta como tal também através dos outros artigos que compõem esta edição, não diretamente ligados ao tema da neurose obsessiva. São textos que abordam aspectos importantes da contemporaneidade: a vida nas grandes cidades, a questão do depoimento sem dano no âmbito do Poder Judiciário e o tema do sadismo na infância.

    E já que falamos de diversidade, sublinhamos a diversidade dos autores que contribuíram para esta edição, composta tanto por membros da Associação Clínica Freudiana, como por profissionais convidados de outras instituições e que gentilmente deixaram a marca de sua escrita no Triebuna Freudiana no. 18.

    A todos, uma boa leitura!

 

Informações na secretaria da Associação Clínica Freudiana.

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