A presente edição da Revista Triebuna Freudiana,
aborda uma temática bastante específica: as
questões trazidas pela neurose obsessiva. Trata-se
de uma coletânea de textos que privilegiam o tema a
partir dos trabalhos do Cartel sobre Neurose Obsessiva, desenvolvido
na Associação Clínica Freudiana durante
este último ano, Cartel preparatório à
Jornada da Associação, realizada em novembro.
Neurose obsessiva: temática atualíssima, na
medida em que, embora tendo sido modificada sua denominação,
continua presente na nosografia clínica atual, a nível
de seus fenômenos e sintomas particulares, como Transtorno
Obsessivo Compulsivo. Psicanaliticamente, sabemos que não
se trata de um privilégio a ser dado a tal fenomenologia,
por mais característica ou espantosa que nos pareça.
Trata-se muito mais da atenção a um certo ordenamento
estrutural no qual a questão do desejo se põe
de forma muito específica. Poderíamos dizer
que, para o obsessivo, uma certa questão fundamental
se coloca: como desejar? Ora, a partir daí, como não
pensar que um tal ordenamento tenha um alcance mais amplo
que o campo da clínica, alcançando mesmo algo
de nossa própria subjetividade contemporânea?
Neste sentido, a edição atual da revista Triebuna
Freudiana reflete algo do trabalho produzido no âmbito
de nossos estudos durante este ano.
Podemos dizer que, em certa oposição
à monocromia da obsessividade, a revista, nesta edição,
empenha-se pelo privilégio à diversidade. Inicialmente,
uma diversidade no âmbito das diferentes leituras e
questionamentos trazidos sobre o tema da neurose obsessiva.
Trata-se de um leque de abordagens que, a partir de um referencial
de textos freudianos e lacanianos, contempla temas clínicos
fundamentais, como a especificidade da angústia na
neurose obsessiva e a estruturação subjetiva
a partir do mito individual do neurótico. Por outro
lado, encontram-se textos que abordam o tema através
da leitura de obras literárias já clássicas.
Shakespeare, Machado de Assis, Poe e Dionelyo Machado são
então nossos guias em textos que, embora trabalhando
sobre a literatura, mantem uma perspectiva clínica.
Mas esta diversidade se apresenta como tal
também através dos outros artigos que compõem
esta edição, não diretamente ligados
ao tema da neurose obsessiva. São textos que abordam
aspectos importantes da contemporaneidade: a vida nas grandes
cidades, a questão do depoimento sem dano no âmbito
do Poder Judiciário e o tema do sadismo na infância.
E já que falamos de diversidade, sublinhamos a diversidade
dos autores que contribuíram para esta edição,
composta tanto por membros da Associação Clínica
Freudiana, como por profissionais convidados de outras instituições
e que gentilmente deixaram a marca de sua escrita no Triebuna
Freudiana no. 18.
A todos, uma boa leitura!
Informações
na secretaria da Associação Clínica Freudiana.